Contribuições da Química no tratamento do Câncer

De acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer), define-se câncer como um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo.

Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias malignas. Por outro lado, um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo um risco de vida.

Tem-se conhecimento da doença desde a antiga Grécia, e de acordo com o site dicionário etimológico, seu nome tem origem do grego karkínos, porque as veias intumescidas que circundam a parte afetada do indivíduo, tinham a aparência das patas de um caranguejo.

Apesar do longo conhecimento da doença, apenas no final do século XIX que iniciou-se os primeiros tratamentos de combate ao câncer graças a possibilidade de utilização de clorofórmio, figura 1, como anestésico em cirurgias de remoção de tumores, já que pelo fato de ser uma substância volátil absorve o calor o corpo e assim, quando a temperatura é reduzida, os nervos sensitivos deixam de exercer as suas funções e a sensação causada pela dor é diminuída.

cloroformio

Figura 1. Estrutura molecular do clorofórmio.

Em 1895, o alemão Wilhelm Konrad Roentgen observou que a passagem de uma corrente elétrica em tubos de vácuo produzia uma radiação capaz de marcar uma chapa fotográfica e atravessar objetos sólidos. Descobriu então o que hoje se conhece como Raio X. Graças a ele, já no começo do século XX, o procedimento passou a ser utilizado no diagnóstico de tumores.

Na época, levava cerca de 30 minutos para conseguir obter uma chapa. O que acarretava em irritações e queimaduras na pele dos pacientes. Em Abril de 1896, um relatório médico apresentado no “Medical Record” descreve um caso no qual um carcinoma gástrico teve uma surpreendente resposta quando irradiado com raios-X.

Em 1900, Wallace Johnson e Walter Merril publicaram um artigo descrevendo os resultados positivos obtidos em câncer de pele pela aplicação da técnica.

Paralelamente, a cientista Marie Curie em 1901 descobriu dois novos elementos químicos com uma alta potencialidade de radiação: Polônio e o Radio. Ao conseguir isolar a atuação do rádio, a francesa abriu espaço para que outros pesquisadores pudessem estudar em 1905, o poder do elemento para destruir células malformadas e destruir tumores malignos. O desenvolvimento de tubos de raios catódicos (1913) e geradores potentes (1921) conseguiram controlar a intensidade dos raios e possibilitar sua utilização segura.

Após pesquisas médicas conduzidas com soldados sobreviventes ao contato com o gás mostarda, figura 2, mostraram que o contato moderado com a substância causava a diminuição de leucócitos no sistema linfático e na medula óssea.

Em 1946, estudos com camundongos mostraram que compostos derivados do gás mostarda como por exemplo a ‘mostarda nitrogenada’,figura 3, reduziam o crescimento de tumores. Nascia então a ideia de utilizar compostos químicos para o tratamento de doenças como leucemia.

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Figura 2. Gás mostarda.

 

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Figura 3. Mostarda nitrogenada (Mustargen®)

 A ação da mostarda nitrogenada, (mecloretamina) é fundamentada em reações de ácido/base sob o conceito de Lewis. A estrutura do DNA é formada por bases nitrogenadas e como o átomo de nitrogênio apresenta um par de elétrons não ligantes, ele pode usar esse par para se ligar com átomo deficientes de elétrons, e por isso atua como uma base de Lewis.

O mecanismo de ação da mecloretamina começa antes dela entrar em contato com o DNA. Dentro do organismo, a mecloretamina sofre um reação intramolecular mostrada no esquema abaixo.

try2

Dessa forma a mecloretamina pode atuar no DNA impedindo a duplicação celular, sejam elas saudáveis ou não. Por isso não era utilizada de maneira ‘pura’ e sim em conjunto com outras substancias para além da diminuição de efeitos colaterais irão potencializar os efeitos quimioterápicos.

Este é apenas um exemplo dos inúmeros componentes utilizados no tratamento de câncer, existe uma variedade ampla utilizada para tratar cada tipo da doença.

 

 

 

Referências:

http://www1.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=322

http://www.news-medical.net/health/History-of-Chemotherapy-(Portuguese).aspx

https://www.hcancerbarretos.com.br/82-institucional/noticias-institucional/368-cancer-uma-doenca-e-sua-historia

http://www.dicionarioetimologico.com.br/cancer/

http://www.culturamix.com/cultura/curiosidades/cloroformio-anestesico-droga-e-composto-quimico/

https://www.portaleducacao.com.br/medicina/artigos/21307/raios-x-a-maior-descoberta-do-seculo

http://www.ensinandoeaprendendo.com.br/quimica/quimioterapicos/