Os quadros de Van Gogh estão perdendo as cores

As famosas pinturas expressionistas de Van Gogh (1853-1890) estão se transformando em telas em branco. Sim, exatamente, seus quadros estão esbranquiçando.

Felizmente já se sabe o motivo. Pesquisadores belgas da Universidade de Antuérpia, atribuem esse fenômeno a um especifico mineral raro que compunha a tinta utilizada. Usando técnicas de tomografia e de difração de raios X, os pesquisadores analisaram amostras do quadro Wheat Stack Under a Cloudy Sky, de 1889, exposto no Museu Kröller-Müller, na Holanda. Eles notaram que, quando o óxido de chumbo, responsável pelos pigmentos vermelhos do quadro, entra em contato com a luz azulada (de LED) e com o gás carbônico, transforma-se em outros compostos de chumbo de cor esbranquiçada.

O estudo liderado pelo professor belga de química Koen Janssen, foi publicado neste mês no jornal acadêmico Angewandte Chemie. O químico afirma que o processo de esbranquiçamento do vermelho ocorre em quatro fases. Na primeira, quando a luz infringe sobre o óxido de chumbo, os elétrons são lançados nesse semicondutor, que gera um óxido de chumbo altamente reativo. Na segunda fase, esse óxido de chumbo reativo captura gás carbônico e água do ar para formar um mineral raro, o plumbonacrita(3PbCO3⋅ Pb(OH)2⋅PbO). O mineral exótico reage, em uma terceira fase, para um hidróxido de carbonato de chumbo, o hidrocerusita. Na quarta e última etapa, a hidrocerusita pode ser convertida em cerusita, também conhecida como \”chumbo branco\”, bastante usada por pintores para atingir tons esbranquiçados.

Em 2013, pesquisadores europeus iniciaram uma pesquisa similar para investigar a razão da cor amarela de algumas obras de Van Gogh ganhar tons amarronzados. Os primeiros resultados também apontaram para reações causadas pela iluminação de LED. Desde então, cientistas estão alertando os curadores de museus que a iluminação LED, embora seja mais econômica e amigável ao ambiente, pode prejudicar as pinturas do artista holandês e de outros pintores contemporâneos a ele, como o francês Paul Cézanne (1839-1906).