TEORIA DO FLOGÍSTICO: Um breve histórico relacionando sua importância para a Química

O conceito original de fnewton-laboratorio-fogologístico foi proposto por Johann Joachim Becher, largamente enraizado nos movimentos alquimistas da época, sendo posteriormente considerada a primeira teoria científica abrangente da Química. Becher considerava o ar e o fogo como agentes de transformação química, e não como elementos no sentido químico. Para ele, os elementos supostamente importantes seriam a água e mais três Princípios Terrosos que correspondiam grosseiramente ao “sal”, “mercúrio” e “enxofre” dos paracelsistas. Desses elementos, o Princípio Terroso semelhante ao “enxofre” estaria presente na matéria combustível e assim seria liberado na combustão. Posteriormente, Georg Ernest Stahl identificou esse princípio como seu flogístico (do grego phlogiston = inflamar-se) e acabou por desenvolver no século XVIII a teoria de mesmo nome (Teoria do Flogístico).

Stahl postulava que o flogístico estaria presente em substâncias que pudessem queimar, bem como em metais capazes de formar cales (óxido de cálcio). As reações simbólicas para o comportamento químico do flogístico podem ser representadas nas situações como segue:

Zinco → cal do zinco + flogístico (Stahl)

 2 Zn + O2 → 2 ZnO (hoje)

Cal do zinco + flogístico → Metal (Stahl)

Óxido de zinco + redutores → zinco metálico (hoje)

A crítica frequentemente feita à teoria é de que o flogístico “inverte” o que ocorre na combustão, pois esta é uma combinação com o oxigênio, e para Stahl é uma perda ou liberação de flogístico e a conversão do óxido em metal, que é uma decomposição, para Stahl é uma combinação com o flogístico. A teoria também privilegiava os aspectos qualitativos da Química em detrimento de uma visão quantitativa, pois não existia uma relação real entre as massas que reagem efetivamente e os valores determinados por uma balança analítica. Também era impossível definir elementos químicos, já que os metais eram tidos como compostos das respectivas cais e flogísticos, e os óxidos tinham comportamento elementar.

 Mesmo sendo capaz de identificar a ausência de conexão em boa parte dos pressupostos de Stahl, Roald Hoffman (1993) se referiu à teoria do flogístico como “uma ideia incorreta, mas frutífera, que serviu bem à emergente ciência química”. Conforme a observação de Hoffmann, a compreensão de que o oxigênio seria o responsável pela manutenção da combustão seria mais tarde generalizada, embora a válvula propulsora dessas observações tenha raízes na teoria do flogístico.

Mas foi Lavoisier o grande responsável pela queda da teoria do flogístico, vindo a substituí-la por uma nova, baseada no papel do oxigênio, nos fenômenos químicos, fortemente embasados pela experimentação. Ele provou que a combustão era, na verdade, uma reação com oxigênio contido no ar atmosférico. Além disso, através do uso da balança afirmou que apenas uma parte do ar se combinava ao metal em combustão e que, portanto, o ar não era um elemento como considerado até então.  Surge então a designação da “nova química” como sendo a “Química do Oxigênio”.

Atualmente a teoria do flogístico nos parece descabida, principalmente quando consideramos a explicação dada ao fato dos metais ganharem massa quando submetidos à calcinação. Nessa teoria, o flogístico assumiria o que se chamava “massa negativa”. Entretanto, podemos afirmar a grande importância desse raciocínio, que embora tenha sido um tanto equivocado, contribuiu para a construção da química moderna.

  • Autores: Elaine Neves de Gasperi, Luíza Pires Ribeiro Martins, Sandra Maria Pepes do Vale

 

REFERÊNCIAS

Hoffman,R.,Torrence, V. Chemistry imagined – reflections on science, Washington, Smithsonian Instituition Press, 1993, p. 82-85.

GREENBERG, Arthur. Uma breve HISTÓRIA DA QUÍMICA – Da Alquimia às Ciências Moleculares Modernas. Edgard Blucher. São Paulo. 2009, p. 120-125.

MAGALHÃES, B. L. A., COSTA, A. M. A. O Flogisto na Gênese das Teorias de Lavoisier Química. Dept. de Química – Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro \”Dept. de Química- Universidade de Coimbra. nº 53, 1994. Disponível em: http://www.spq.pt/magazines/BSPQ/577/article/3000630/pdf. Acesso em 11 ago. 2015.

MAAR, J. H. História da química – Dos primórdios a Lavoisier. 2 ed. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008.
NEVES, L. S., FARIAS, R. F. HISTÓRIA DA QUÍMICA – Um livro-texto para graduação. Editora Átomo. São Paulo. 2008, p. 49-50.